terça-feira

Fugas

Muitas vezes fugi de um amor , fugi quando amava e tinha a sensação que quanto mais intenso era o sentimento mais asneiras eu fazia perante quem amava . Em vez de dizer aquilo que me ia na alma , dizia asneira sobre asneira , e depressa concluía que o melhor mesmo era ficar calado . Tive situações em que recebi brincadeiras de péssimo gosto e em que sofria quer estivesse com quem amava ou não . Então aprendi a escolher cautelosamente o amor e a desaparecer sempre que desconfiasse que um certo caminho não tinha futuro , e isso nem era o pior , pior é ficar numa encruzilhada com um futuro incerto e um passado para esquecer . Aprendi a desaparecer quando num amor já nada houvesse para salvar , podia até estar a ser cobarde , mas era sem duvida o caminho menos complicado . Pode parecer meio mentira , mas era a minha verdade . Algumas vezes desapareci , porque a ausência requer um monte de paciência , pode ser um risco grande , mas é sinal de sabedoria e muitas vezes de ganho . Algumas vezes tentei parecer desinteressado e houve vezes em que desapareci , para simplesmente poder voltar e ficar para sempre lado a lado . Às vezes a saudade faz mais pelo amor , que a desajeitada e irreflectida presença de quem se ama .


1 comentário:

Val disse...

Bom dia Gonçalo!!!!Lendo suas "Fugas".Devemos reconhecer que os sentimentos estão em cada um e que ninguem é perfeito, podemos errar a qualquer hora e a qualquer momento de nossa vida.As vezes o silêncio e a melhor saída naquele momento.
Beijos com carinho!!!

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