quinta-feira

Burrice à Portuguesa

E cada vez ligo menos a noticias e às comunicações dos políticos responsáveis por Portugal . Mas também ouvir o quê ? Ninguém sabe ao certo o que deve dizer e pergunto-me se algum deles terá mesmo algo para dizer . Quando acidentalmente ouço alguma opinião ou discussão , só ouço asneiras . Pessoas que falam minutos a fio para não dizerem nada . Neste momento repetem-se apenas lugares - comuns , opiniões já queimadas e gastas por tantas bocas . Por todo lado aparecem laivos de mediocridade , na tentativa vã de ocultar a asnice e a incapacidade . Parece que os pensamentos são cada vez mais lentos , numa época em que tudo se vive rapidamente demais . A velha burrice portuguesa continua a ser apanágio de quem mais não sabe do que ouvir-se a si mesmo . E isso deixou de ser apenas caracteristica de certas cores politicas , infelizmente neste momento a burrice em Portugal é multicolor . Eu sei que toda a vida existiram pessoas menos dotadas de inteligência , mas antigamente essas pessoas tinham o recato de ficar caladas , de permanecerem quietas no seu canto , tendo uma grande virtude , a humildade . Agora os burros perderam a humildade total e proclamaram-se inteligentes e vivemos no tempo da burrice total e despudorada .

quarta-feira

Conselho

Um jovem com uma imensa fortuna pessoal , foi ter com um Mestre para lhe
pedir uma orientação para a sua vida que lhe parecia demasiado futil . Não conseguia amar de verdade , sentia-se vazio no meio de uma vida cheia de brilho dourado . O Mestre conduziu-o até à janela e perguntou-lhe o que via . O rapaz respondeu que via o céu azul , as flores do jardim , o sol ...

Então o Mestre levou-o junto a um espelho e pediu-lhe que lhe dissesse o que via e o jovem respondeu que se via apenas a ele mesmo .

Então o Mestre disse-lhe que ali ele só se via a ele , já não via flores , nem sol e embora espelho e janela fossem feitos do mesmo material , o vidro , bastava uma camada de prata para que o espelho nada mais deixasse ver que ele mesmo .

E explicou que devemos comparar a vida dos homens a estas duas qualidades de vidro .

Quando pobres , vemos os outros , sentimos compaixão , mas quando cobertos de prata, ricos , vemo-nos só a nós mesmos .

Então o jovem compreendeu que só valeria qualquer coisa , a partir do momento que apesar da riqueza , arrancasse dos olhos a capa de prata , para poder ver os outros , amá-los e sobretudo não se sentir tão só .

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