domingo

O Velho e a Morte

Um Senhor bastante idoso , curvado pelos muitos anos e pela vida pobre que sempre levara, gemia sob o peso de um enorme feixe de lenha que carregava sobre os ombros. Já bastante cansado , com os pés doloridos pelo caminho cheio de pedras pontiagudas, ele caminhava dolorosamente para a sua ainda muito distante cabana.
Extenuado pelo peso da lenha, deixou-a cair na berma da estrada e erguendo o olhar para o Céu , clamou:
-" Que vida tem sido a minha desde que nasci? Do amanhecer ao anoitecer é trabalhar duramente para não ganhar quase nada. A minha casa não tem conforto nem luxo e a despensa esta sempre vazia. A minha mulher está sempre descontente por mais que eu faça
e os meus filhos são desobedientes, preguiçosos e incapazes de ajudar os pais. Onde andas tu morte , que não me vens buscar e salvar-me de todos os meus problemas???

Ao ouvir clamar com tanta veemência , o anjo da morte resolveu fazer o que o idoso Senhor implorava e chegando junto dele, perguntou:- " Eu sou o anjo da morte. Que queres tu de mim?"
- Na-a-a-ada, gaguejou o pobre homem em pânico. Só quero ajuda para colocar sobre os ombros aquele pequenino e leve montinho de lenha que deixei cair.
O anjo ajudou e sorriu ao mesmo tempo que pensava , que os humanos são engraçados , só dão valor ao que têm , quando estão na iminência de perder ou quando perderam mesmo...

1 comentário:

Val disse...

Boa tarde Gonçalo!!!Uma bela reflexão.O velho e a morte,há pessoas que têm tanto e não se dão conta disso! Têm saúde, um lar, uma família, um emprego, mas reclamam, estão insatisfeitas e quando perdem algo, só aí começam a valorizar.Enfim,Quando temos oportunidade de avaliar o valor, saberemos que nada deve ser desvalorizado, este velho percebeu isto no momento certo.
Beijos com carinho

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