quinta-feira

Madrugada

Vieste de Madrugada, quieta
ficaste parada, suspensa
pensando que eu dormia
eu tinha os olhos fechados
mas os sentidos acordados
só meu coração te ouvia
Ouvia o teu sorriso terno
que quase não fazia ruído
eram calmos os teus passos
com que caminhavas segura
pelo quarto que é ninho
feito de loucuras e abraços
onde me sinto perdido
Preso num encanto doce
tecido por palavras calmas
murmuradas no silêncio
de uma noite companheira
envolvo-te em meus braços
enrolam-se nossas almas
como se nosso corpo fosse
Oceano por navegar
como se para mim tu fosses
entre todas, a primeira
que conhece meus segredos
meus encantos e meus medos
minha força e covardia
Encolho-me em teu regaço
vencido pelo cansaço
de uma noite de amor
em que meu corpo
invadiu o teu
que generosamente se deu
todo aberto, botão em flor
altar de um Deus pagão
onde oferece o coração
solene, o seu amor


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