segunda-feira

Não sei

Não sei porque ainda escrevo
se não encontro palavras
para escrever o que sinto
e tanta vez ao escrever
por não saber como dizer
calo sentimentos, e minto
Não sei porque ainda escrevo
se me perco no que digo
e fica por dizer
aquilo que queria falar
e tanta vez a escrever
acabo por dizer
o que deveria calar
Não sei porque ainda escrevo
se as palavras se repetem
frase a frase
monótonas
cinzentas sempre iguais
talvez porque escrevendo
eu perco-me num sentimento
que já é grande demais
Não sei porque ainda escrevo
se enrolo frases que escondem
aquilo que não sei falar
talvez porque ao escrever
a dor fica presente
e a saudade teima em aumentar
Não sei porque ainda escrevo
palavras sempre iguais
nas quais me disperso e divago
ao escrever escondo a dor
e deixo em frases de amor
escondida a dor que em mim trago
Não sei porque ainda escrevo
palavras que trago guardadas
de um tempo tão distante
que lembra a eternidade
talvez porque olhando teus olhos
eu sinto que ainda me perco
num Oceano de saudade

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