segunda-feira

Não sei

Não sei porque faço ainda
de um raio de sol
a tinta com que pinto
com cor o meu horizonte
Não sei porque sorrio ainda
e faço de cada sorriso
a música que embala a minha alma
Não sei porque sonho ainda
e faço de cada sonho
o meu ponto de partida
para uma caminhada maior
Não sei porque sou menino
porque ainda trago no peito
canções do tempo da escola
saudades do meu pião
com que brincava
alheio, a toda a preocupação
Não sei porque guardo ainda
na minha memória
o cheiro da fruta madura
que eu colhia nas árvores
livre
solto
tão feliz
Ainda recordo o som da voz
da minha mãe
que me chamava apressada
na hora das refeições
Não sei porque teimo em acreditar
que a vida é um poema
quando as suas rimas não versam
e a sua musicalidade se perde
por meio dos meus dedos
Não sei porque ainda acredito
em estrofes soltas
que o vento
sempre alegra e zombateiro
traz para mim nas tardes calmas
perfumadas a açucenas
Não sei porque sinto saudade
de um tempo que fui feliz
sem a felicidade conhecer
Não sei porque trago comigo
a vontade de acreditar
que a felicidade está
ao alcance da minha mão
Sim eu sou um sonhador
que ousa transformar em poesia
pequenos pedaços de dor
não é arte
não é magia
é apenas a alquimia
de que é capaz o amor



1 comentário:

Milú disse...

As tuas palavras deixam-me pensativa... porque me provocam uma estranha melancolia... uma tristeza que não tem explicação. São sentidas e tocam o fundo do coração... e em algumas também me identifico. Passa-se a vida em busca da felicidade, como que à procura de um tesouro escondido. É uma busca infinita, por vezes inglória. Nunca a lua está ao alcance da mão. Nunca o fruto está maduro. Nunca o carinho que se recebe é suficiente. Mas há uma forma melhor de se viver! A partir do momento em que se decide ser feliz, essa busca chega ao fim. Então perceber-se-á que a felicidade não está na riqueza material, na casa nova, no carro novo, naquela carreira, naquela pessoa... e jamais está à venda. Enquanto não se conseguir achar satisfação dentro de si mesmo, é inútil procurá-la. Sempre que se depender de factores externos para se sentir alegria, estar-se-á condenado à desilusão, ao desânimo. A felicidade é ter satisfação com o que se tem e com o que não se tem. Poucas coisas são necessárias para fazer o homem sábio feliz, contudo não há fortuna que satisfaça o inconformado. A única fonte de felicidade está dentro de cada um e repartir as alegrias é como espalhar perfumes sobre os outros... algumas gotas acabam por cair também sobre nós. É este o sonho de todos, afinal... ser e fazer os outros felizes! E o amor... bem... o amor é o elemento crucial para que o sonho e a felicidade se conjuguem de modo a se sentir a exuberância de uma vida plena!

Um beijinho

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