sábado

Ergue a tua taça
e vamos celebrar
a tortura da ausência
com o champanhe
doce
que nasce em teus
lábios
Ergue a tua taça
e bebe nela o veneno
que corre da tua alma
e que destilas amarga
nas palavras cinicas
que me lanças no rosto
Ergue a tua taça
e vamos brindar
a dor que partilhamos
a magoa que se fez presente
a dor que fizemos nascer
e a raiva com que nos
mascaramos
Ergue a tua taça
e brinda
brinda a um futuro
que para sempre
se fez passado
brinda a uma alegria
que para sempre
ficou dor
Ergue a tua taça
e brinda
a esse mundo que criamos
onde nos perdemos de amor
onde nos inventamos
onde criamos luz
calor
e que ficou para sempre
parado
num sonho triste que morreu
ou quem sabe
se fomos apenas loucos
acreditando num futuro
que simplesmente não nasceu
envoltos numa magia
que julgavamos eterna
e se perdeu

Sem comentários:

imagem