domingo

Um dia uma pessoa de quem gosto disse-me que os meus textos a fazem ter sono. Bom é uma utilidade que eles têm nesse caso e é otimo, porque ter noites de insónia é muito chato e fico muito feliz se eles poderem ajudar a solucionar esse incómodo. Mas para ser sincero, ainda que respeite essa opinião, não foi exactamente para isso que os escrevi. Alias eu escrevo por absoluta necessidade de comunicação. Há pessoas que falam muito de si, que se abrem com amigos e assim libertam a necessidade de desabafarem, de darem livre curso às emoções. Eu sou um bom conversador (dizem) e embora esteja sempre disposto a ouvir e adore escutar amigos e familiares, eu não sou muito aberto a confidências. Não é por desconfiança, por medo, seja pelo que for, faz apenas parte do meu carácter ser um pouco fechado. São muito raras as pessoas a quem falo dos meus sentimentos. Escrever sempre foi vital para mim. Amo a escrita, adoro ler e neste blog uso-a para dar livre curso a pensamentos e emoções. Aqui escrevo sem ligar muito à formação correcta ou incorrecta das frases, sem ver muitas vezes se faço erros ou não. Para mim escrever aqui é um escape, uma forma de auto-ajuda, uma terapia. Quando escrevo não penso se alguém vai ler ou quem vai ler, sou apenas eu e o teclado à minha frente. Os meus dedos correm pelo teclado ao sabor das emoções, sem ligar ao Português mais ou menos abrasileirado que só posso usar aqui. Eu poderia escrever um diário, mas perdi a vontade de escrever à mão, sou muito comodista, prefiro a facilidade de um bom teclado. Tudo o que escrevo vai carregado de sentimentos, de dores, é de certa forma o exorcisar de mágoas e demónios interiores.Parece que colocando em palavras os sentimentos ficam mais reais e mais faceis de enfrentar. Para mim escrever é uma necessidade quase física. Mesmo no meio do trabalho, quando a tensão aumenta, eu páro e escrevo um pouco, isso ajuda-me a ficar mais calmo. Escrever é a parte que mais adoro na minha vida, não me importo que o meu estilo seja chato ou faça dormir, quero apenas que seja sincero. Cada pessoa que lê o que escrevo, entende consoante a sensibilidade que tem, ou não entende, conforme os casos, ou adormece o que pode ser bom. Mas nenhuma das minhas frases aqui é menos sincera, ou rebuscada. Tudo que está escrito aqui sai-me da alma, são pedaços da minha forma de sentir. Escrever profissionalmente é outra coisa, ai respeita-se a ortografia (mais ou menos), no meu caso é mais para menos e tenta-se conduzir o desenrolar da escrita da forma que sabemos que vai tocar um maior numero de leitores. É uma batalha entre o que sentimos e aquilo que sabemos que é mais comercial. Digamos que escrever profissionalmente é quase uma forma de prostituição intelectual, esquecemos os nossos sentimentos em nome do que é comercial, do que faz sucesso nas paradas. Escrever aqui é poder deixar o coração falar e a alma exprimir-se, como para muitas pessoas é vital outro género de actividades para mim é vital escrever e tocar piano. É ai que reencontro o meu equilíbrio para todas as outras coisas que fazem parte da minha vida.

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