domingo

Tempo


Quando realmente se gosta a sério de alguém o tempo passado junto é sempre pouco e de repente descobrimo-nos a tentar esticar as horas, a tentar inventar o tempo, para podermos ficar um pouco mais. O tempo passado com quem se ama é o melhor de todos, não há termo de comparação. Nessas alturas em que queriamos que o tempo fosse nosso cumplice e parasse, que todos os relógios do mundo invertessem a direcção dos ponteiros, ele traí-nos, corre, foge-nos das mãos e quando nos damos conta, o tempo do sonho passou. Tão rápido qur quando pensavamos estar ainda no início já o final tinha chegado, porque o tempo não se compadece com os apaixonados que pedem apenas mais um minuto. O tempo corre exactamente quando o desejavamos parado. Eu diria que o tempo é inimigo de quem ama, porque se durante o tempo do sonho, da magia, ele corre sem piedade, marcando todos os segundos num compasso apressado, depois, quando vem o tempo da saudade, quando fechamos os olhos, quebrados e pedimos apenas que o tempo passe, ele não passa. De repente ele fica estático e cada segundo parece durar uma hora. Nessa altura inventamos estratagemas para que ele passe, para que cada hora demore apenas um segundo, desejamos que todos os relógios do mundo corram enlouquecidos e é nesse instante, que o tempo, traidor, pára. Como se quisesse prolongar uma agonia , como se quisesse marcar a ferro a passagem de cada minuto, lentamente, deixando que a saudade nasça, cresça e nos domine. Realmente o tempo é inimigo de quem ama, leva para longe, queima num segundo os momentos de magia e eterniza para sempre a saudade. E há pessoas, que passar junto delas um minuto é um privilégio e há outras, que um segundo junto delas já é um castigo. Quando se ama, o maior tempo é muito pequeno, quando a saudade vem, até o tempo mais pequeno é longo demais.

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