terça-feira

soneto póstumo


Boa tarde...- Boa tarde!- E a doce amiga
E eu de novo, lado a lado vamos
Mas há um não sei quê, que nos intriga
Parece que um ao outro procuramos

E por piedade, ou gratidão, tentamos
representar de novo a história antiga
Mas vem-me a ideia... não sei como a diga...
Que eramos outros, quando nos encontramos

Não há remédio, separados pois
e as nossas mãos amigas, se estenderam
-até breve! - Até breve1 - E com espanto

ficamos a pensar nos outros dois
naqueles que talvez já morreram
E que um dia, se quiseram tanto

Este é um soneto de Mario Quintana, poeta que consegue comover-me com a simplicidade dos seus poemas. O poeta que disse, que às vezes dizendo asneiras faz-se poesia. Eu diria que falando de sentimentos faz-se poesia

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