segunda-feira

Só quando estamos realmente tristes sabemos dar valor a um sorriso, a uma palavra amiga. Só quando estamos verdadeiramente sós sabemos como é importante ouvir passos, risos, vozes. Como é importante sentir um carinho no rosto, uma mão que segura e firmemente agarra a nossa, um olhar de simpatia ou até uma simples frase escrita com ternura. Quando estamos com saúde, rodeados de amigos, quando a vida é uma festa que se renova a cada dia, essas coisas passam-nos despercebidas. Perante as grandes emoções, as alegrias, ou a correria louca em busca de um prazer diário que mascare a nossa solidão, essas pequenas coisas passam-nos despercebidas. Mas quando somos forçados a fazer uma pausa, quando a nossa vida fica momentaneamente parada e nos deparamos connosco próprios, quando a realidade já não é enfeitada pelos abraços falsos, os sorrisos mentirosos e as palavras aduladoras, aprendemos a dar valor ao que é verdadeiro. E coisas simples que nem viamos, de repente passam a ter uma importância vital. Porque quando paramos e repensamos tudo, descobrimos que pouca importância demos áquilo que mais contava ou deveria contar para nós. Quando se tem algum dinheiro, o mundo puxa-nos para uma imensa roda gigante de emoções, não conseguimos parar e nem pensamos sequer questionar se todos os braços que nos acolhem o fazem com carinho e se todos os sorrisos são verdadeiros. Quando paramos e descemos da roda, seja por falta de saúde, seja por quebra na vida financeira, a roda continua a girar sem nós e raro é aquele que desce para nos acompanhar. Então nessa fase que realmente se assemelha ao inverno, damos valor renovado a cada gesto que antes nem viamos e aprendemos que um sorriso puro, um abraço sincero vale por mil noites de loucura, gastando a saúde, e o tempo em discotecas e bares. Por isso no inverno, quando tudo parece morto, damos tanto valor a uma flor que resistindo à intempérie desabrocha, flor essa que rodeados pelo glamour da roda gigante jamais veriamos. E que nesse inverno vemos, e achamos linda, especial. Assim é a vida.

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