terça-feira

Parabéns


Pedro, estou com o meu trabalho um pouco enrolado mas não quero terminar as postagens de hoje sem te deixar o meu beijinho de aniversário. Não esqueci que fazes hoje oito anos, (caramba, como o tempo passa), pensar que parece que nasceste ontem. Quero que saibas e de certeza já o sabes, que gosto muito de ti, foste sempre para mim o filho que Deus não me deu. Para além da Catarina, eu gostaria de ter sido pai de um menino, a vida não me permitiu ainda realizar esse desejo, mas tu, sempre preencheste esse lugar vazio no meu coração. Sei que ainda és muito novinho e certamente gostarias de um texto de parabéns mais leve, mais divertido. Mas hoje sinto-me triste, o mundo dos adultos tem destas coisas, chatices, aborrecimentos, portanto meu querido não tenhas pressa de crescer. Aproveita ao máximo as tuas horas livres, brinca, corre nessa fazenda, trepa às árvores, come fruta madura no pé, desafia o teu pai para um banho de cachoeira, faz de cada um dos teus dias, um dia de festa. Sei que o teu pai vai ficar de cabelos em pé ao ler isto, mas faz isso sim, brinca muito. Quando cresceres verás que o mundo adulto é um mundo cão, só não tem placa de aviso. Aproveita o teu tempo o mais que puderes. Eu juro que quando regressar ao Brasil, te vou levar o carrinho que me pediste, para que possas andar com ele nessas estradas no interior da fazenda. Contigo já dei boas gargalhadas, já me comovi, mas fizeste coisas que nunca esqueço. Lembro-me da ultima visita ao Rio, quando estando eu internado tu foste ver-me com teu pai. Lembro dos teus olhos brilhantes a fitarem o meu rosto, o teu pai queria mentir, mas eu contei-te a verdade sobre o internamento, olhaste para mim de lágrimas nos olhos e disseste: - Não faz mal titio, o Senhor vai ficar bom e ainda vamos brincar muito na fazenda. Não vamos?
Eu disse que sim, com um travo a lágrimas na boca, que tu na tua ingenuidade de menino nem viste, e ficaste por ali atento a tudo, num mundo que graças a Deus te é desconhecido. Mais tarde, antes de saíres conseguiste arrancar-me a maior gargalhada de que me lembro. Tu sempre me contas anedotas de Portugueses, onde invariavelmente o Português é burro. E nesse dia ao lembrares-te disso, fitaste-me com esses imensos olhos que parecem um mundo de ternura e perguntaste: - Titio, mas o Senhor fez isso por uma mulher?
Eu respondi que sim. Tu olhaste-me meio de lado e respondeste:- Ai titio, o Senhor é mesmo Português.
Foi a maneira mais delicada de alguém me chamar burro. Ainda me lembro a atrapalhação colada no rosto do teu pai. E a minha enorme gargalhada. Acho que a mais genuína em meses e meses. Mas não te preocupes, és a segunda pessoa a dizer-me o mesmo por isso deves ter razão. Quero dizer-te que contigo vivi já momentos de muito carinho, momentos de muita emoção e que te adoro meu pequenino. Não sou teu tio de sangue, mas os laços do coração são os mais fortes de todos e tu és meu sobrinho de coração, adoro-te. Quero aproveitar e deixar também aqui um abraço apertado para o Paulo, teu pai e dizer-lhe que prepare o barco, um dia destes eu apareço por ai e vamos a mais uma pescaria. Quero também deixar um abraço para a Eunice, tua mãe e dizer-lhe que estou morrendo de saudade das comidinhas dela. Ninguém tem um tempero como o dela para fazer uma comidinha deliciosa. Mas do que eu tenho mesmo saudade, é do vosso carinho, do vosso abraço, da amizade sã e pura a que me habituaram. Um grande abraço a vocês três e até um dia destas. Beijo para ti Pedro, parabéns meu querido!!!

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