quarta-feira

obrigado


Obrigado Francisco. Eu sei que sempre posso contar com o teu carinho. Fiquei admirado porque imaginei que desconhecesses a existência deste blog. Vais ter que me dizer como conseguiste a senha e a palavra passe. Já sei, estão na minha agenda, sou péssimo a guardar segredos. De qualquer forma agradeço o teu carinho meu irmão. Sempre tens sido o meu ombro amigo, a pessoa com quem posso contar, o amigo que me ouve até de madrugada. Sabes que a minha vida não tem sido facil, ao contrário do que muitos pensam por ai. O dinheiro não compra passaporte para a felicidade. Talvez a nossa vida seja regida por ciclos, como as estações do ano. Digamos que eu estive no Outono, tentando saborear os bagos deliciosos das uvas pendentes da videira, saboreando os bagos doces de romã que me eram dados em sorrisos. Não vou falar aqui daquilo que não tem que ser público e que aliás tu conheces. Hoje nem iria postar nada, mas não posso deixar de te dar aqui uma resposta ao teu carinho. E voltando ao assunto dos ciclos, se estive no Outono, fatalmente teria que entrar no inverno. E sabes que o Inverno arranca impiedosamente todas as folhas, deita ao chão ressequidos todos os frutos que não soubemos ou não podemos colher. O inverno gela, mata tudo com o seu frio inclemente, a chuva cai ao compasso das lágrimas e até o sol desiste de lutar. O azul do céu perde a sua cor e ganha um tom de chumbo, que escurece os dias, quase os aproximando da negritude da noite. Mas como sabes Francisco a natureza é mutável, e não se deixa abater. Após o longo inverno renasce a primavera, com ela vêm os primeiros raios de sol, as chuvas embora ainda marquem presença já não são tão intensas, tão frias. O céu volta a adquirir o seu tom azul e o sol volta timidamente a dourar os dias. As ervinhas voltam a despontar nos campos, as árvores criam folhas e os pássaros regressam aos seus cantos melodiosos. Como sabes Francisco, a Primavera é uma renovada esperança de vida. E se a minha vida se rege por ciclos então eu vou entrar na Primavera. Ninguém passa incólume pelo que eu passei, ninguém atravessa um deserto sem ser atormentado pela sede, ainda que se tenha prevenido com um suprimento de água, uma hora ela acaba. Ninguém vai colher amoras sem se picar nas silvas que as oferecem perante o nosso olhar guloso. A nossa vida é o espelho exacto daquilo que nós plantamos. Eu sei que não plantei tempestades, que não plantei dores, que não plantei medos. Mas nem sempre o plantio é feito correctamente e quando isso acontece a semente não germina. Portanto meu irmão, não te preocupes comigo, eu tenho em mim a força da fénix, sempre renasço das cinzas, mas tal como ela preciso de um tempo de adormecimento e de paz. Como as árvores que adormecem nuas, flageladas pelo longo e ríspido inverno e acordam cheias de seiva ao início da Primavera. Francisco não me peças forças que ainda não tenho, não me peças que caminhe sobre cacos de vidro e me deite em camas de pregos. Assim não construirei nada, apenas camuflarei, esconderei de mim mesmo, e sem alicerces sólidos a casa cai à mais leve tempestade. Deixa que eu adormeça e permaneça dormindo, que as minhas forças renasçam, que o meu coração reaprenda a bater no compasso certo. Deixa que o sol volte a aquecer o meu corpo, que o azul do ceu ilumine os meus olhos e que nos meus lábios reapareça o sorriso. Eu agradeço a tua preocupação. mas não cpmpreendas esta minha aparente aceitação como covardia, falta de coragem. Nunca sofri disso, apenas aprendi a esperar, a esperar que a vida me mostre como agir, que as minhas dúvidas se dissipem, que o meu medo se vá. Nunca terás um irmão fracassado e deixa-me reafirmar-te que embora não sendo um jogador nunca saio de um jogo a meio. Como se diz no Brasil dou um boi para não entrar numa briga, mas depois de entrar, dou uma boiada inteira para não sair dela. Nunca saio sem jogar a minha ultima ficha, sem arriscar a minha ultima carta e regra geral tenho sempre um trunfinho salvador. Não te preocupes, apenas tem paciência e dá-me um pouco de tempo. Não limpes as minhas feridas é na dor delas que eu encontro forças para reagir. Aproveitando a ocasião e lembrando que falaste nos meus amigos, quero agradecer a todos eles os carinhos, as provas de amizade e atenção. Aos meus inimigos, bom, nem estrutura têm para o ser, mas deixa-me promovê-los de simples chatos impertinentes, ao estatuto mais digno de inimigos. A esses agradeço muito o não me deixarem adormecer totalmente, o darem-me forças para retomar lutas e batalhas. Quanto às pessoas que me dão amor, esse que recebo de diferentes maneiras e em diferentes graus, a essas eu agradeço depois em privado. E para uma pessoa especial, deixo aqui um beijo especial. A ti Francisco deixo o meu abraço, o meu carinho e a promessa de nunca te decepcionar.

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