segunda-feira

Não procures


Não procures em mim culpas que não tenho. Um dia mandaste-me uma pequena caixinha, eu perguntei o que continha e tu respondeste:- Um abraço muito apertado para não te deixar cair.
Naquele momento eu já tinha caido com as palavras que tinha acabado de escutar de ti. Tinha jurado a mim mesmo nunca falar de ti aqui na primeira pessoa, mas estou a fazê-lo agora. O teu abraço apertado foi mera ilusão. Depois de tudo o que falamos, eu teria ficado como teu amigo, porque precisava dessa amizade, naquele momento especialmente. Mas onde estava o teu abraço amigo quando nas horas de maior desespero precisei dele? Onde estava o amparo de um gesto de uma palavra? Onde estava essa amizade quando me fizeste cair a pior de todas as quedas? Aquela que tu sabias que me atingiria e a que não me poupaste. Onde estava o teu abraço, quando fizeste as tuas longas ausências? Onde estava o teu abraço quando te pedi que estivesses comigo e tu simplesmente não tiveste tempo. Onde estava o teu abraço quando eu mais precisei? Não estava. Tu estavas ausênte, nas tuas coisas, nos teus amigos, na tua vida. Então que direito tens tu de exigir, de cobrar de afirmar. Não fui eu que fugi, foste tu que resolveste não ver, não constatar não querer saber. No fundo da tua alma tu sabes disso, não interessa a opinião dos teus amigos, a eles não dou direito nenhum, muito menos o de me julgarem. Tu dentro de ti mesma sabes o peso das minhas palavras e a verdade que encerram. Existe um orgulho enorme, muita mágoa, ressentimento, mas existe também uma consciência dos factos. Eu não tiro a tua parcela de razão, não vou tirar nunca, mas apenas reconheço que nesse aspecto particular a culpa foi tua. Se eu estiver com sede e me estenderem um copo de água, beberei. Agora se eu tiver sede e me estenderem o copo de água, e eu orgulhosamente recusar, não posso dizer que me fizeram passar sede, tenho que admitir que fui eu que não quis beber. Cada um de nós tem as suas próprias razões, os seus próprios ressentimentos, as suas próprias verdades. Mas há verdades que não se negam e tu sabes disso. Não quero com isso mudar a opinião de ninguém e muito menos tomar aqui um acto de defesa publica, aquilo que possam pensar de mim não me interessa. Simplesmente não ligo a julgamentos de pessoas com quem nunca troquei uma palavra. É apenas a ti que quero dizer que não pegues na pedra para lançar, porque não és a dona da verdade e nem da certeza absoluta. Repensa bem todas as tuas palavras dos ultimos tempos, os teus gestos, mas repensa colocando-te no lugar de quem te escutava, ou seja, no meu. Repensa bem em tudo e só depois disso julga, emite opiniões, e se tiveres coragem, acusa. Mas acusa ciente de todos os factos, que para a tua consciência não podes omitir. Acusa lembrando cada palavra, cada gesto, cada acto. Sabes, a vida é parecida a um processo judicial, tens que assentar cada argumento acusatório sobre factos concretos, mas não podes ver só a tua parte, tens que ver a do outro também. O segredo que nos faz ser justos com os outros é ouvir sempre a nossa consciência. E fica ciente de uma coisa, um amigo tu terás para a vida toda, quando fores capaz de entender o pouco que peço, mas um palhaço não. Detesto exibicionismos quando o sentimento que os move esta deturpado ou quando outras coisas se envolvem no meio disso. Mas disso nem vale a pena falar. Aprende a pensar, a sentir e só depois acusar. E não esqueças mais uma coisa é mais importante aquilo que nos dão, do que saber quem nos dá. Mas claro que essa é uma situação que não poderia ser eternizada, mas nenhum de nós soube lidar com isso. É uma história sem vencidos nem vencedores, ainda...

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