segunda-feira

A mentira


A mentira nunca pode ser uma verdade, a menos que Deus num passe de mágica a faça acontecer. Eu detesto a mentira. Detesto mentir e odeio que me mintam. Mas temos que saber distinguir entre os vários tipos de mentira. Há uma espécie de mentira a que pudemos chamar mentira piedosa, caritativa. Quando mentimos a alguém, para que essa pessoa sofre menos, ou até mesmo , não sofra, quem nos pode condenar? Quando se mente com o intuito de proteger alguém, de evitar dores maiores, pode ser até uma mentira louvável, embora claro não deixe de ser mentira. Depois há a mentira que é dita por auto-defesa. Essa encontra-se geralmente nas crianças, mas infelizmente também em alguns adultos. Naqueles que praticam actos que sabem não ser os mais certos mas não os querem assumir. Porque regra geral temem as suas consequências. Nesses casos trata-se de uma mentira por medo, covardia, mas se o acto praticado não atingiu terceiros, se esse acto não magoou ninguém e não feriu, então deixemos que a mentira persista. Depois existe a mentira defensiva, em que alguém é acusado de cometer um acto que não seria o mais correcto e recorre à mentira para se defender. Ao longo da minha vida profissional já vi isso acontecer centenas de vezes. Muitas vezes fechei os olhos e fingi acreditar. Se o acto praticado não molestou ninguém, para quê desmascarar o infeliz que se refugia por trás de uma pequena mentira? Seria mais uma crueldade, não vale a pena. Há também a mentira por amor, que pode ter duas vertentes bem diferenciadas. Pode ser que alguém minta para defender pessoas que ama, e quem pode atirar a primeira pedra neste caso?Ninguém. Há também quem minta por amor, noutras circunstâncias, mas se a mentira não lesar, não for grave, não vale a pena aprofundar muito a questão. Para mim a pior mentira, a que detesto , é aquela que é dita a frio para enganar, ferir, maltratar. Uma mentira que nasce de um coração azedo, para causar sofrimento, desentendimento, problemas. Existem mentiras muito graves, gravissimas e dessas nem vou falar aqui. Toda a mentira é uma mentira, não vou dizer que qualquer uma delas, salvo o primeiro exemplo é um acto louvável. Mas muitas são compreensiveis, embora dificeis de aceitar. Uma mentira é realmente uma verdade que se esqueceu de acontecer. É uma realidade retirada da mente de alguém, que a recria e a usa como se verdade fosse. Nunca vou usar uma mentira como defesa e muito menos magoar alguém com uma, mas há uma fronteira muito ténue às vezes entre a mentira e a verdade. É preciso ter a coragem de erguer a nossa verdade e seguir com ela. Mascarar a nossa verdade com uma mentira ainda que até mais bonita, será como derramar café sobre um um tecido de seda. Dificilmente a mancha sairá,

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