terça-feira

Hoje a minha filha pediu-me que lhe contasse uma história. Ela tem um imensos olhos cheios de curiosidade e expectativa e quando me pede alguma coisa sinto que não a posso desiludir. Nunca comprei um livro de histórias infantis para contar à minha filha. Eu mesmo conto uma história, recriada, reinventada. Tenho a sorte de ter uma família excepcional, que sempre que não me é possível estar com a minha filha, ficam com ela e tratam-na com todo o carinho. Até aqui sempre tive pouco tempo para estar com ela. Mas tentei dar em qualidade o que me faltou em quantidade. Assim quando estou com ela transformo-a em rainha,Princesa de mil castelos, fada e faço desfilar perante os seus ouvidos atentos e olhos onde brilham todas as estrelas do firmamento, as imagens mais fantásticas, mais encantadoras e irreais. Gosto de exercitar a mente dela, fazê-la sonhar, ajudá-la a compreender a diferença entre o mal e o bem. Procuro diferenciar de forma nitída o certo e o errado. No nosso mundo de hoje, os pais deixaram de ter tempo para os filhos, procuram que eles passem o maior numero possível de horas em frente à tv ou a um pc, perdidos em desenhos animados e jogos. Evito ao máximo expôr a minha filha a isso, porque os desenhos animados que deveriam estar direccionados para a formação intelectual das crianças, são essencialmente baseados na agressividade e na violência. Não se encontra em nenhuma personagem infantil dos desenhos animados aquela ingenuidade, aquela lealdade que melhor se coaduna com o mundo infantil. Que poderemos esperar de adultos que cresceram assistindo a violência e agressividade como se fossem valores a cultivar. Que cresceram aprendendo erradamente que só a lei do mais forte vence, e o que adianta é conseguir alcançar os fins sem olhar a meios. Eu não quero que a minha filha cresça com esses conceitos errados. Não quero que ela seja uma santa, mas quero que no futuro ela tenha a noção exacta dos valores morais, daquilo que efectivamente é certo ou não. Não quero que ela cresça com a ideia de que pisar os outros é a forma correcta de lutar pela vida ou que a agressividade é digna de aplauso. Então e pelo tempo que me for possível, irei inventando e reinventado montes de histórias com Princípes que acreditam que mais vale ser leal e corajoso que violento ou agressivo e muitas princesas que ainda acreditam que o amor é o sentimento mais bonito do mundo.

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