sábado

Desalento


Ter medo de não ver o azul
fechar os olhos aos sonhos perdidos
esquecer a rota, será Norte ou Sul?
perder-me no império dos sentidos

Não sei quem és, não te vejo bem
e ouço-te dizer, ai tanta vez
sonho de um outro que se desfez
fantasma de outro amor, sombra de alguém

Névoa, quimera, fumo, sou quem?
nem sei amor, se ainda me vês
nossos olhos já não são,nossos, talvez
assim me perdi, não sou ninguém...

És tudo e não és nada, sombra que passa
és quem já não vejo por desgraça
sorriso de outro, que não mereço

És tu quem vive e se perdeu
És tu quem poderia ser o outro (eu)
Mas afinal já não te conheço


(Soneto de Florbela Espanca)

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