domingo

colheita


E que dizer de quem semeia amor
E colhe apenas amargura?

E que dizer de quem semeia alegria
e colhe apenas tristeza?

E que dizer de quem semeia amizade
e colhe apenas traição?

E que dizer de quem semeia carinho
e colhe apenas ingratidão?

E que dizer de quem semeia fidelidade
e colhe apenas traição?

E que dizer de quem semeia ternura
e colhe apenas azedume?

E que dizer de quem semeia a verdade
e colhe apenas mentira?

E que dizer de quem semeia a paz
e colhe apenas a guerra?

E que dizer de quem semeia a justiça
e colhe apenas injustiça?

E que dizer de quem semeia sonho
e colhe apenas desilusão?

E que dizer de quem semeia o riso
e colhe apenas lágrimas?

E que dizer de quem semeia a luz
e colhe apenas trevas?

E que dizer de quem semeia a vida
e recebe apenas morte?

Nem sempre o que recebemos vem na medida directa daquilo que fizemos. Nem sempre recebemos o que demos ou colhemos o que plantamos, ou porque a semente caiu em terreno infértil, ou porque erramos o tempo certo da sementeira. Cada coisa tem o seu momento certo para acontecer e a nossa vontade de antecipar factos só atrapalha. Muitas vezes semeamos tanto num determinado campo, investimos tanto, damos tanto de nós, e a semente não nasce, é lançada à terra em vão e ocasionalmente para nossa surpresa, vamos buscar o fruto dessa semente num outro campo onde quase nada fizemos. É a vida, mas também nunca ninguém nos disse que a vida é justa, os sonhadores, os fantasistas, os parolos como me disse uma amiga, esses é que ainda teimam em acreditar nisso. E é graças a essas pessoas que a vida ainda vale a pena ser vivida.

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