sábado

A ausência


A ausência não mata, não destroi, não desfaz laços. A ausência magoa, fere, mas não faz anular um sentimento. Depois o conceito de ausência não é assim tão linear. Ausência pode ser entendida de várias formas. Podemos estar junto de uma pessoa que nos parece ausênte e podemos estar muito próximos de uma pessoa que fisicamente está longe de nós. A ausência é a ante-câmara da saudade. A ausência gera a saudade, mas testa laços, mostra o quanto são duradouros, fortes ou frageis. Um amor verdadeiro ñão cede perante a ausência, mais ainda se intensifica. Só um amor frágil cede e morre gelado pela ausência. A ausência pode comparar-se a um sopro intenso de vento. O vento apaga uma vela, mas não uma fogueira, por contrário, reacende-a. Assim o amor frágil secumbe e o forte intensifica-se. Aliás quando se ama não existe ausência. Eu posso sentir o teu sorriso num raio de sol, posso sentir o teu carinho num dia de chuva, posso ouvir as tuas palavras no murmúrio do mar, posso sentir o teu toque na brisa suave. Posso ouvir o teu riso no jorrar da fonte, posso ouvir os teus passos nas batidas cadenciadas do meu coração. Não existe ausência quando se ama. Nunca quem ama pode sentir-se só. O amor ensina a aceitar o tempo da presença e o tempo da ausência. E muitas vezes ambos confundem-se, porque sentimos a saudade de quem está connosco porque sabemos que vai partir. Ou sentimos alegria na ausência de alguém porque sabemos que vai voltar. Quem nós amamos de verdade não parte nunca, ainda que se vá, nunca foi, porque vive em nós, nas lembranças de momentos de sonho, nas lembranças de carinho. Quem ama de verdade nunca está só, porque o amor não combina com a solidão. O amor enche um coração de luz , de ternura. Quem ama nunca estará só.

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