domingo


Algumas vezes na nossa vida tentamos proteger quem amamos, a nossa familia, a pessoa amada, os filhos, sentimo-nos responsaveis por todos, pensamos que o mundo vai parar se nós pararmos. E quando algo acontece e nos trava o caminho temos algumas surpresas. Descobrimos que o mundo passa muito bem sem nós e quer nos levantemos ou não o dia vai nascer, soarão risos na rua e os pássaros vão cantar de igual forma. Descobrimos que afinal não somos nós o pilar da família, que é sim a família que nos apoia e nos protege. Todos nós temos tendência a exacerbar a nossa responsabilidade, muito do peso que carregamos aos ombros fomos nós mesmos que colocamos. Sentimo-nos indispensaveis. Eu prefiro pensar que sou útil, mas não indispensável, até porque se o fosse eu teria uma responsabilidade a mais que não teria como suportar. Prefiro imaginar que no dia que eu não estiver mais aqui, a minha família vai viver bem sem mim, a minha filha vai fazer a vida dela, as pessoas que dependem de mim, que trabalham comigo vão continuar trabalhando sob oriêntação de outra pessoa, que nada mudará com a minha partida. Por isso nunca, mas nunca quero ser indispensável seja no que for, útil quero ser, mas quero também que qualquer pessoa após a minha partida possa tomar o meu lugar. Não quero lesar a vida de ninguém, nem ser peça fundamental de nada, porque após a minha partida não quero que nada vá ruir só porque deixei de estar. Não quero ser eu a proteger a árvore, quero sim que ela me proteja e que eu possa ser, quando não estiver mais aqui, apenas uma saudade terna e calma.

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