sexta-feira

A ultima lagrima

Há sempre um dia em que uma ultima lágrima escorre pelo rosto e desliza em diração ao chão onde se mistura ao pó da rua e lá fica para sempre, ignorada de todos, até que o vento árido a enxugue e da sua lembrança nada mais reste. E cada lágrima perdida é um sonho que morreu, uma desilusão que ficou, uma dor que nasceu, uma ferida que não fechou. Por cada lágrima chorada há um rio de amargura que transborda, um mar de dor que se solta nessa simples gota. Cada lágrima que sai de um olhar triste é um poema amargo que esmaga o peito e destroi a felicidade. Mas também por cada lágrima de dor há a esperança do sorriso que nascerá depois radiante de luz e vida. Como a fénix que renasce das cinzas, o sorriso nasce depois de uma lágrima. E há sempre motivos para sorrir. Uma flor que desabrocha e cresce insensível à minha dor, o olhar de uma criança que busca em mim o sorriso que se foi, o cantar de um pássaro que me acorda para o dia que amanhece. O raio de sol que entra na minha janela por muito que eu feche a cortina. Depois vêm oa sorrisos partilhados dos amigos, as mãos que se unem num aperto cheio de amizade. As vozes que me trazem ternura, o aroma bom a terra e a mar. Hoje cai a lágrima, incontida, da dor que ficou dentro de mim. Mas amanhã o sol virá nos olhos de alguém, o sorriso nascerá e a lágrima de hoje ficará esquecida. Ergo as minhas mãos ao céu e peço a Deus o Sol para alegrar o meu Futuro e a chuva para lavar do meu rosto as lágrimas do presente.

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