domingo

A todos os meus amigos

De repente perco-me a pensar onde estarão todos os meus amigos? Aqueles que há tanto tempo não vejo, por preguiça, por incuria ou por
falta absoluta de tempo. Como pode a vida afastar-nos assim daqueles a quem amamos, de quem gostamos. Lembro o Engº Rui que sempre me aguarda no Porto para um almoço que não acontece nunca, porque eu sempre adio, nunca tenho tempo. Pobre amigo, bem me telefonas, bem marcas almoços que eu desavergonhadamente desmarco de véspera. E tu sorrindo sempre me ligas e te despedes com a tua frase habitual:- Gonçalo aquele abraço!!!
Que abraço amigo? Aquele que sempre te nego por falta de tempo? Aquele que nem lembro mais qual foi a ultima vez que trocamos. Até sempre amigo, um dia destes esse almoço sai. E a minha amiga Clara, que para além de minha amiga é minha dentista. Ai amiga, quantas marcações anuladas, quantos cafés adiados. Deixa lá amiga, continuo a ser um péssimo paciente, continuo sem uma unica cárie dentária. E a culpa é tua que me cuidaste bem demais. Continuo com os dentes perfeitos e mesmo as ultimas consultas a que fui apenas nos rimos e falamos.Depois por absoluta falta de tempo comecei a eterna monotonia das marcações e desmarcações. Já tenho até vergonha de te ligar. E o meu advogado, onde andas Carlos, és pior que a Santa Bárbara, só me lembro de ti nos momentos de tempestade. Mas aqueles jantares marcados nunca se realizam, porque o meu carro avariou, o meu irmão chegou, porque tenho uma reunião agendada, porque estou muito cansado, porque me doi a cabeça, caramba, não sei como não desistes... mas juro-te que um destes dias quebro o enguiço e vamos jantar. E o meu amigo Eduardo, o meu médico em portugal, que te direi amigo? nem sei que mais desculpas te dar para cancelar o tal final de semana na Serra. Porque não tenho tempo. Caramba, que absoluta falta de tempo a minha. O meu amigo Falcão que se queixa que nunca ligo, o Pedro meu colega da faculdade, o Ricardo meu amigo e sócio que da Venezuela me liga todos os dias, sempre com amizade e a quem nunca retribuo uma só chamada que não seja por motivos profissionais. O Fernando, que me segurou a mão tantas vezes em momentos que tanto precisei, quando estava doente, o amigo que perdeu noites a meu lado, que perdeu dias para ficar comigo, que me liga e eu nunca estou. Que diabo de amigo sou eu que nunca tenho tempo para ninguém? E como estes aqui referidos, tantos outros, a Margarida minha colega e amiga, a Maria esposa do Pedro com quem só dei furos, por falta de tempo, o Miguél que já parou de ligar, deve ter desistido com razão, o Gabriel que já me convida meio a rir, a Susana que sempre me ajudou quando precisei mas para quem agora não tenho tempo. Acho que se eu pudesse arranjaria um dia com 48 horas, para que eu pudesse atender todas as solicitações, para que não tivesse que dizer a mais nenhum amigo:- Desculpa mas não dá, estou sem tempo. Se por algum motivo eu morresse agora, já, neste minuto, não sei o que cada um deles pensaria de mim. Provavelmente que nunca os lembrei, que nem liguei. Mas a todos os aqui mencionados e aqueles que não estão, não por esquecimento, mas porque não vou alongar mais esta lista, a todos eles quero dizer que os adoro, que nunca os esqueço e que apesar da minha absoluta e eterna falta de tempo sempre estiveram e estão dentro do meu coração. E que se eu morresse agora, já, neste instante, o meu ultimo pensamento seria para todos eles e certamente lamentaria os abraços que não trocamos, os cafés que não bebemos, os almoços e jantares adiados e os finais de semana cancelados. Não sei se vou conseguir fazer na minha vida o milagre da multiplicação do tempo, mas prometo a cada um de vós que um dia destes eu tiro férias e coloco os nossos encontros em dia. Porque não quero um dia destes, sentir que os perco por absoluta falta de tempo!!!

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