segunda-feira

Sorrir


Tenho uma amiga que sempre me pede para sorrir. Ora para mim, que nasci de sorriso colado no rosto, isso não significava nada para além de um quase ritual. Sorrir transformou-se numa máscara defensiva. Quando fico perdido no meio de uma conversa sorrio. Quando estou entediado com um assunto sorrio. Quando um assunto me fere , sorrio. De tanto usar o sorriso como máscara , acho que desvirtuei a verdadeira essência do sorriso. Essa minha amiga entrou na minha vida numa hora de conflito interior. Numa hora em que todas as dores perdiam peso perante uma maior que me surgia- E quando eu estava quase a cair sob o peso de todo o desespero, essa amiga apareceu, vinda do nada e ensinou-me a força de um verdadeiro sorriso. De tanto me pedir para sorrir, eu dei-me conta que há anos que não sorrio. Eu que passo a vida com um sorriso colocado no rosto, descobri que não sei sorrir. O meu sorriso era máscara. Simples contracção facial, algo morto, sem força e sem convicção. Fiquei muito admirado quando ela me pediu que sorrisse. Pensei: - bom, mas que coisa , eu já passo a vida a sorrir!!!
Mas depois analisando bem, vi que não. Eu não sorrio. Eu apenas imito o sorriso. Uma imitação pobre e nada convincente. Algo que nem a mim me convence mais. Então um dia, no meio de uma conversa dela, eu vi-me compelido a sorrir. Mas ai sim, era um sorriso. Daqueles que se estendem dos lábios aos olhos, fazendo-os brilhar com mais luz e aquecem o coração- A essa amiga eu devo o favor de me ter mostrado o valor do verdadeiro sorriso. E mais do que isso, devo, o facto de me ter ajudado a redescobrir o sorriso sincero, verdadeiro, puro. O sorriso que se espalha nos lábios e faz surgir nos olhos pequenos pedaços de alma. Obrigado amiga, pelo dom de reaver o sorriso!!!

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