sexta-feira

saudade


Saudade palavra branca e pura
que escorre pelos meus dedos como água
que sai dos meus lábios cerrados
e se escoa por entre suspiros
que quebram o silêncio a que me impus
Saudade que doi quase sem doer
que é um misto de doçura e mágoa
que é uma inquietude para os sentidos
Saudade que foge do peito aprisionado
saudade que não sendo nada ainda é tudo
Saudade que enterra o sonho por nascer
saudade que deixa orfãos os raios de luar
saudade que humedece os meus olhos
Saudade que deixa marcas na alma
saudade que por amor se faz presente
Saudade que se fez rio de amargura
Que transbordou das margens e se fez pranto
que afogou o sonho ainda não nascido
que se enrola nos teus cabelos como uma teia
que me prende qual corrente ao desespero
A saudade não mata mas aprisiona
não destroi mas cercea
A saudade que mais pune e mata
Não é a saudade distante
Mas a saudade de quem está ainda presente

Sem comentários:

imagem