sexta-feira


Quando nos apaixonamos de verdade, abrimos o nosso coração à pessoa de quem gostamos sem nenhuma garantia. Ninguém nos garante que vamos ser felizes, que vamos ser correspondidos, que não vamos sofrer. Amar é quase como uma lotaria. Nunca sabemos se a bolinha escolhida vai parar no numero exacto e nos sai um prémio que se veja. Amar é um risco, mas um risco que vale sempre a pena correr. Se formos correspondidos, se esse amor se realizar, se for pleno de sentimentos unicos e felizes será a melhor de todas as experiências. Se ao contrário esse amor não for correspondido, se for um amor irrealizado, pelo menos uma lição podemos tirar dai, é que nem sempre o amor que damos é aceite, compreendido ou até mesmo respeitado. Amar é doar o nosso coração incondicionalmente, sem exigir receber e sem pedir nada em troca. Amar e dar e não ficar de mão estendida à espera de receber. Amar é abrir a porta da alma e deixar que alguém a olhe tal e qual é. Não devemos mostrar aos outros aquilo que não somos à espera que se enfeiticem por uma luz que não é a nossa. Amar implica sobretudo não mentir, não enganar e não magoar. Amar significa dar-nos ao outro como somos, imperfeitos. Quem procura um amor perfeito estará condenado a não amar nunca. Pelo contrário se endeusarmos demais a pessoa amada, iremos colocar nela expectativas que talvez ela não nos possa realizar. E se isso acontece sentimo-nos ludibriados, quando na verdade a culpa é nossa , fomos nós que criamos alguém (perfeito) e a perfeição não existe. Amar implica aceitar o risco de amar a imperfeição e dentro do nosso coração senti-la como perfeita. Amar implica arriscar, sofrer, sorrir, chorar, rir , ser feliz e infeliz. Amar é um risco sem cálculo, um trapézio sem rede, um abismo que nos atrai. Amar é sobretudo a realização de um sentimento complexo, que não entendemos racionalmente mas que sentimos e queremos beber até à ultima gota.

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