quarta-feira

Preserverança

Tantas vezes uma dor, um final de um sonho, um fracasso, uma derrota
nos faz querer desistir de tudo. Baixar os braços, enterrar a cabeça na areia e simplesmente deixar que o tempo passe. E que nessa passagem leve tudo para longe. Mas é um engano. Porque aquilo que deixamos por resolver irá estar sempre dentro de nós como uma condenação, à espera de uma resposta. Aprendi que o dia vai nascer quer eu me levante ou não. Que o sol se vai pôr no ocaso, quer eu o olhe ou não. Que a chuva vai cair, quer eu saía de casa ou não. Que as flores vão abrir as suas pétalas delicadas e perfumadas, quer eu as veja ou não. Nada no mundo vai parar só porque eu parei. A vida de todos vai decorrer da mesma forma, sou apenas um grão de areia no meio de um areal. E ao tomar consciência disso, aprendi que é errado baixar os braços. Claro que tenho momentos de cansaço, em que fecho os olhos e deixo o tempo correr. Tenho momentos de exaustão em que caio e permaneço no chão, dias a fio. Mas depois ergo-me e recomeço tudo de novo. Construo os mesmos castelos, roubando ao mar, a areia que uma onda me arrebatou. Persigo o sonho capturando os mesmos balões que o vento em furia queria como seus. Persistentemente reescrevo de novo as frases que as lágrimas quentes borraram ao cairem sobre a tinta ainda fresca com que acabara de as traçar. Reergo o rosto para receber a bofetada que adivinho, mas da qual seria cobardia recuar. Recomeço de novo a musica mil vezes escrita procurando para ela o final adequado. Acendo tantas vezes quantas as necessárias, as velas que acendi na alma, e que o vento inclemente teima em apagar. Limpo mil vezes do rosto as lágrimas que caem e por mil vezes reinvento o sorriso. E a todas estas tentativas eu chamo preserverança e persistência. Não importa que o meu sonho esteja em marte. Um dia eu chego lá!!!

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