quarta-feira

Para além do tempo

O amor tem algo de transcendental, de unico, que une duas pessoas que
muito para além daquilo que nos é possível racionalizar. O amor vem como uma brisa suave, que nos toca e nós nem sabemos porquê. Chega junto da nossa alma a aprisiona-a, sem nos pedir autorização ou sem que a nossa mente possa lutar para se libertar. O amor pode nascer de um sorriso, de um olhar trocado, de um abraço, ou até de uma lágrima. Mas existe um outro amor forte e intenso que nos pega de surpresa. Que nasce não se sabe onde e surge não se sabe porquê. Um amor que atravessa o tempo, o espaço, que quebra regras, que se torna presente mesmo quando tudo fazemos para o ignorar. Um amor que parece vir de um passado distante, de uma época perdida no tempo e no espaço, um amor perpetuado em muitos outros amores e que de repente explode queimando tudo por onde passa. Um amor louco, incompreendido, um amor que assusta, porque não respeita convicções, porque transcende aquilo que a nossa mente é capaz de entender. Um amor que se entrega, que doi quase até à loucura, um amor que parece ter vindo directamente de Deus ou do Diabo. Um amor que passa por cima de todas as regras de normalidade, que cresce à revelia de todos os ditames, que jorra contra todos os que o tentam sufocar. Um amor que aparece como chama que queima, que tortura, que castiga, e sob o qual nenhum gemido consegue obter clemência. Um amor que arranca fibra a fibra todos os pedaços da alma, que descarna o coração, que açoita como chicote e que não se compadece das lágrimas de dor. Um amor intemporal que vem não sei de onde, que doi até ao limite do imaginável e que não morre não sei porquê.

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