domingo

Gosto de todos os animais. Alias como todos sabemos , são imensamente mais fieis a quem amam , do que nós. Mas de entre eles escolho o gato como meu animal de estimação preferido. Ao invés do dócil cão, o gato tem uma personalidade quase aristocrática. Não se deixa comover pelos mimos e nem encantar pelo chamamento do dono. O gato aceita os mimos do dono quando quer e como quer.É sem sombra de duvida um predador. Um caçador inclemente de insectos e pequenos roedores. Mas tem uma majestade muito sua, adoro a flexibilidade dos seus movimentos, a facilidade com que salta sobre a presa, a elasticidade harmoniosa do seu corpo. Admiro a ternura dos seus olhos, quando se estende semi-acordado sob o sol que lhe acaricia o pêlo. Gosto da rapidez e intempestividade com que passa da calma absoluta à furia mais intensa. Gosto de ver o brilho luminoso dos seus olhos que parecem mirar-nos num infinito desafio. Gosto de pegar um gato no colo e acariciá-lo até o ouvir ronronar deliciado, e sentir que por momentos o meu carinho amansou aquele pequeno felino. Por um momento apenas, porque de seguida ele fugirá e retomará a sua augusta independência. Engraçado como o gato é um animal de multiplos humores, que nos baralha com o seu temperamento apenas superficialmente afeito e domado aos humanos. O gato já foi considerado um animal sagrado. Ele tem um encanto que assenta no seu ar misterioso e semi-selvagem. Quando pego num gato, olho as suas garras que gentilmente encolhe tornando a sua pata de uma maciez de seda, mas sei que a qualquer momento, por um gesto impensado, ou brusco, ele pode assanhar-se e as suas garras certamente irão dilacerar-me as mãos. Acho que por isso o gato me encanta tanto. Eu gosto de sentir adrenalina, de estar sempre no limite das sensações, de ser enfrentado de igual para igual, adoro desafios e algum perigo. Por isso decidi escolher o gato como o meu animal predilecto. Eu mesmo sinto afinidade com os gatos. Pela sua aparente frieza, alguma arrogância e absoluta necessidade de liberdade. Dizem que Deus criou o gato para que nós pudessemos acariciar o tigre. Talvez haja alguma verdade nisso. Para mim o gato é uma fera doce, terna, que de um momento para o outro pode ser agressiva e ameaçadora. É isso que adoro nele. A sua capacidade para mudar de um momento para o outro a forma de sentir e de agir. Um gato é uma fera em potencial, que acaricio sabendo o risco que posso correr. Mas é exactamente isso que me seduz, a luta, o desafio e o nunca saber como no momento seguinte tudo irá terminar.

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