domingo


Este texto destina-se a todos aqueles que amam e perderam um grande amor. A todos os que por qualquer motivo perderam de diferentes modos alguém que amavam. Amar é complicado e quando o amor termina, a dor divide-se em duas fases distintas. A primeira dor, a mais intensa vem assim que a relação termina. Se depois da relação ainda existir amor, é doloroso termos que nos acostumar com a ausência do outro, com a amargura de ter realmente perdido, perda essa que vem acompanhada de um sentimento de impotência e regeição. Ficamos também sem horizontes, já que a dor ainda é tão forte, que não conseguimos ver uma saida. Depois de dias e dias dessa angustia, acabamos por nos habituar e começar a ver uma solução, uma saida desse mundo sem cor. A pior das dores, é a dor da quebra da rotina, da falta das palavras, da falta do carinho, da cumplicidade. De repente sentimo-nos pequenos, descobrimos que a pessoa que tanto amamos afinal passa bem sem nós. E isso doi. Quando esta dor se atenua, vem uma outra mais leve, mais suave, a da lenta despedida. É a dor de devagar conseguirmos despegar-nos do amor que sentiamos, a angustia de esvaziarmos o coração de tudo que antes o preenchia, de o esvaziarmos de amor, de carinho, até da saudade. Quando amamos o amor centra-se na pessoa que queremos, por isso é tão doloroso o desligamento, a ruptura. Muitas vezes somos nós proprios que prolongamos o nosso sofrimento porque não nos queremos desprender, porque o amor mesmo já meio morto, dolorido, sem retribuição ficou como recordação de momentos de sonho vividos a dois. Essas recordações passam a ser um tesouro que não queremos perder, porque de certo modo é isso que dá ainda sentido à nossa vida. Depois do fim de uma relação, queremos claro voltar a encarar a vida, a sermos felizes, mas fica dificil despedirmo-nos para sempre de algo que foi tão importante por tanto tempo. O amor vivido intensamente inscreve-se na nossa alma, de uma tal forma, que só a muito custo se consegue apagar para sempre. A saudade, essa ansia de recuperar o amor, mesmo sabendo-o perdido, é uma dor muito suave, muito subtil, e muito duradoura. Perder um amor , passar por todas essas fases é algo que doi muito, que perturba, que nos faz reavaliar a vida e o seu sentido. Chegamos finalmente à fase em que descobrimos que a pessoa que nos deixou, que desistiu de nós, deixa de nos interessar. Mas apesar disso a recordação do amor que sentimos, dos momentos passados de sonho, dos planos feitos, o amor intenso que sentiamos, que dava sentido à vida, isso tudo ainda nos interessa, nos prende e causa dor. Quando um amor termina e nos vemos na obrigação de nos despedirmos dele, sentimos que estamos a despedir-nos também da nossa vida, das nossas certezas, dos nossos sonhos e até de nós mesmos. Quando alguém nos deixa, simplesmente termina e vai embora, é o nosso sonho que termina, sem que tivessemos concordado, sem que tivessemos opinado. Mas quando isso acontece e sentimos que nada mais há a fazer, sentimos que tudo o que ficou tem que sair de dentro de nós. O caminho até à libertação é longo, difícil, complicado, e doloroso. Doi muito, é a travessia do deserto, é uma dor que descarrega e liberta o coração, que o esvazia, deixando-o livre para amar de novo.

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