sábado

Conhecer as pessoas

Ter a profissão que escolhi, tem algumas desvantagens. Com ela aprendemos a desacreditar do mundo, das pessoas, porque todos os dias aquilo que de pior existe nos vem parar às mãos. Crimes, roubos, tanta coisa que nos faz perder a fé nos nossos semelhantes. Mas uma coisa esta profissão me deu de positivo. Aprendi a conhecer as pessoas e descobri que há vários tipos diferentes. Há os timidos que muitas vezes perdem oportunidades de ouro porque essa timídez os inibe. Há os extrovertidos, alegres que não medem muitas vezes as consequências das suas palavras e actos. Há os introvertidos que diferentes dos timidos, arriscam lutar pelos seus sonhos, mas fecham-se nos seus casulos e não mostram nenhuma emoção. Existem as pessoas frias, distantes que nos gelam só com um olhar. Existem os agressivos, aqueles que parece que vêm no mundo um eterno campo de batalha. Existem os doceis, que são pedaços de mel que deus coloca no nosso caminho. Os calmos que conseguem viver com tranquilidade e dá-la a quem com eles priva. Existem tantos tipos de pessoas quantas as variações de personalidade espalhadas por ai. Mas há um tipo a que não resisto sem rir e que eu mesmo alcunhei de pavão. Nesse extereotipo a quem eu mesmo decidi dar um nome, enquadram-se infelizmente muitas das pessoas que até hoje nas mais variadas circunstâncias cruzaram o meu caminho. Nesse tipo particular estão incluidos os fanfarrões a quem nada assusta, que tudo enfrentam, verbalmente claro, porque na pratica se estiverem em maus lençois fogem num ápice. Temos incluidos ai, também, os sedutores encartados. Homens e mulheres que se garantem, que pensam ter um tal poder sedutivo, que ninguém lhes consegue escapar. Os excessivamente vaidosos, um pouco de vaidade é bom, mas em excesso chega a ser ridículo. É vê-los passearem-se com o carro topo de gama, falar no telemóvel de ultima geração, jantar no restaurante de nomeada e mostrar-se ao lado da amante, geralmente falsificada por litros de selicone. E há o tipo que igualmente incluo no estereotipo pavão. Os que se julgam espertos. Alguns há que se julgam de tal forma inteligentes que pensam ter o mundo na mão. Que conseguem visualizar para além do que lhes é mostrado, que conseguem ludibriar o próximo num jogo em que ninguém cai, mas que eles pensam ser o supra-sumo da inteligência. Esses sim fazem-me rir. Muitas vezes ao cruzar-me com um espécime desses, nada raro na verdade, me apetece olhá-lo bem nos olhos e inquirir: - Mas quem lhe disse que o Senhor ou a Senhora, (consoante o sexo do pavão) é inteligente? Meu Deus isso é ofender a inteligência. A esses (pavões) eu deixo o meu sincero apelo. Olhem-se no espelho, deixem cair a máscara e assumam que ser inteligente é um dom natural do ser humano. Que cabe ao ser humano aperfeiçoar esse dom que lhe é concedido e tornar-se mais inteligente, mais culto, à medida que os anos passam e nos deixam mais ricos de experiência e sabedoria. Agora esse tipo de inteligência rasca, a que o meu pai costumava chamar saloia, essa inteligência é o pior atestado de burrice que esses (pavões) passam a eles mesmos.
Ao pavão verdadeiro, ave lindissima, que adoro, peço as minhas desculpas pela comparação. Mas tal como a ave abre a sua cauda magestosa perante o nosso olhar admirado, os outros pavões abrem a gavetinha da burrice e mostram a sua (inteligência) perante o nosso olhar entediado.

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