sábado

As palavras



Estranho como uma palavra dita na hora errada, ou nunca dita pode mudar para sempre a nossa vida. Quantas vezes ao longo da vida me deparei com silêncios forçados, silêncios cheios de nada. Quantas vezes uma palavra queimou a minha garganta e correu na ponta da minha lingua e eu temi falar. Porque aprendi a pesar as palavras, a dar-lhe um valor real, por isso talvez algumas me magoem tanto, que me apetece fugir e esquecer de tudo. Engraçado como uma palavra pode ser o principio e o fim de tudo. Como uma unica palavra pode fazer nascer um rio de lágrimas ou fazer brilhar um raio de sol. Cada palavra proferida por cada um de nós, tem uma magia muito própria, um encanto ou uma mágoa que transcende a mera vocalização das sílabas. Com alguém aprendi a ter medo das palavras, a ter medo de as proferir e ainda mais de as escutar. Cada palavra é uma faca de dois gumes, um que pode ser doce e terno, o outro cortante e gélido, capaz de ferir até ao mais profundo da alma. Eu gosto das palavras sinceras, leais, daquelas que nos são ditas com verdade. Com sinceridade ainda que ríspidas. Há palavras que digo que retornam aos meus lábios como mel, há outras que caem da minha boca como chumbo, que saem pesadas e que até mesmo a mim me agridem. As palavras têm um peso enorme na nossa vida. Há coisas que nunca mais podemos mudar, a pedra depois de ser atirada, e as palavras depois de serem ditas. Pode esquecer-se uma palavra que magoa, tentar que fique para sempre perdida no limbo do inconsciente, mas nunca mais na vida essa palavra se apagará. A qualquer momento pode ressurgir como uma brasa queimando lentamente e como ela transformando tudo em cinza. Há palavras que nos deixam na boca um travo suave e terno, outras que deixam um sabor amargo e triste. Assim como as que nos são ditas. Escutamos palavras que nos erguem num minuto do desespero para a alegria, assim como éxistem outras que nos tiram a paz e nos fazem viver em agonia. Por isso hoje eu tenho medo das palavras. Por esse motivo há palavras que recuso ouvir, outras que temo ouvir e outras de que fujo antes que sejam ditas. Por esse medo há palavras que nunca digo, palavras que digo a medo e palavras que se engasgam na minha garganta como um peso sufocante. Talvez o sentimento mais puro, aquele que nunca viveste, se encontre exactamente nas palavras ainda não ditas, naquelas que me queimam os lábios, naquelas que talvez ouse dizer ou que talvez nunca te direi. Palavras, apenas... Que podem ser um mundo de amor ou o mais perfeito fracasso, tudo depende de palavras, palavras apenas...meras palavras

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