domingo

amor virtual


Para responder a uma amiga que afirmou numa conversa comigo que ninguém se apaixona por internet. Bom amiga, há meses eu afirmava o mesmo, e sempre achei que era impossível. Mas contrariamente ao que é imaginável e contrariando todas as racionalizações o amor virtual ou internauta existe sim. Eu sei que pode parecer meio estranho, mas existe e eu posso afirmar isso. Conhecer alguém pessoalmente, trocar olhares, falar, trocar sorrisos, pode ser o início de um amor considerado ( normal). Não sei como os outros sentem e mesmo o amor não se racionaliza, neste aspecto interessa-me apenas o que sinto. Das dezenas de mulheres que conheci desse modo digamos normal, dos olhares e dos sorrisos, de todas essas mulheres eu conheci o corpo, o desejo, o amor carnal, mas nunca conheci realmente nenhuma. Porque conhecer não implica somente conhecer a cor dos olhos, a cor dos cabelos, o som do riso, o aroma da pele. Acho que nunca conhecemos ninguém, exactamente porque nos prendemos com os detalhes exteriores e com o desejo imediato, e nos entregamos, até que um dia passado o impacto do desejo, do encanto, descobrimos que não sabemos nada do outro. E isso gera os milhares de divórcios que ocorrem por ai. A internet ao contrário da ideia negativa que muitos fazem é uma forma válida de conhecer realmente alguém. Porque ali não existe o aroma da pele a tumultuar os sentidos, existem apenas duas almas que se revelam. Quem pensa e afirma que os opostos se atraem, pensa a maior parvoíce de todos os tempos. Os opostos magoam-se, podem até representar um desafio, mas nunca um sentimento duradouro, ninguém quer dar murros eternamente em pontas de facas. Pela internet, podemos falar horas e horas com alguém, isento das chamadas apelativas dos sentidos, concentrando-nos apenas naquilo que é vital, a alma do outro, aquilo que realmente é. Ninguém consegue mentir ou fingir muito tempo na internet, porque ao falar horas e horas a seu respeito, se mentir acabará por cair em contradicção. Por este meio de conversa podemos aprender o que o outro realmente pensa e é. Claro que na internet, alias como na noite, ou noutros locais, existem pessoas a evitar, assim sendo fica ao critério selectivo de cada um saber com quem deve ou não falar. Claro que neste mundo imediatista em que vivermos, perder horas falando com alguém, sem tocar é coisa de loucos, perda de tempo. Para mim coisa de louco é fazer o que sempre fiz, levar para a minha vida mulheres das quais nada sabia, somente conhecendo o seu aspecto exterior e algumas meias verdades. Não há nenhuma forma certa para conhecer o amor, cada pessoa tem a suas necessidades e a sua forma particular de sentir. Para mim amar aqui é possível. Porque aqui eu me descubro a mim mesmo e descubro a outra pessoa. Em cada frase eu leio e releio as palavras, que quando ditas se esquecem no momento seguinte. Aqui podem-se construir os alicerces de um amor profundo, são, sem nenhum envolvimento com a paixão, essa sim que cega e tumultua. Claro que depois fora daqui terá que haver empatia, e construção do sentimento alicerçado. Mas pode-se amar aqui sim amiga, pode-se amar sinceramente, com um amor puro, daqueles que poucas pessoas conhecem. A entrega fisica, essa é facil, o difícil é a entrega de duas almas e o conhecimento das mesmas. Se duas almas se encontrarem e aqui se tornarem cumplices, de certeza que no aspecto fisico, fora daqui tudo vai correr bem. porque sabemos exactamente quem o outro é, e o que podemos esperar. Depois da comunhão das almas a comunhão física poderá ser mais plena, mais forte e mais duradoura. Pena que as pessoas neste nosso mundo apressado não tenham tempo para se olharem interiormente, que considerem perder uns mêses a conhecer a alma do outro, uma atitude de gente anormal ou doida. Se perguntarmos à maior parte dos casais se conhece realmente a pessoa com quem vive, nos dirão que sim, mas se perguntarmos se conhece o maior sonho do outro, a maior mágoa, ai já duvido que tenham resposta. O nosso mundo perdeu-se, desvirtuou-se, porque ninguém já se importa realmente em descobrir o ser que ama, casam com o sentimento que se der certo dá, se não der, um divórcio resolve. Que perda enorme de carinho, de amor, de laços mal atados e desfeitos levianamente. Se me perguntarem se escolheria a internet como o melhor meio de conhecer alguém, eu diria que TALVEZ não. Mas é sem duvida o meio mais isento, o mais capacitado neste mundo louco para realmente conhecermos alguém a fundo. Existem outros meios, claro, como aqueles namoros longos, mão na mão em que se falava sobre tudo e não havia outro contacto fisico para além do beijo e da mão dada. Mas quem tem tempo agora para ficar ouvindo o outro? Quando estou com amigos num bar, e uma mulher entra, o nosso primeiro olhar é para os seios, os cabelos, os olhos, e quem se importa com o que ela realmente é e sente? Ninguém, naquele momento ela é apenas o objecto do desejo, o instinto do caçador farejando caça. Exactamente o que não acontece na net, onde esses instintos ficam semi-adormecidos. E quando se conhece alguém realmente a fundo e se ama mesmo, contemplando todas as fragilidades, qualidades e defeitos, então o resto virá por si. Não consigo esquecer a Professora Portuguesa que conheceu um Egípcio aqui na internet, namorou e casou, viajando sozinha ao seu encontro, sem medo de encontrar o homem que amava exactamente porque já o conhecia bem interiormente. A ela que foi notícia pela distância geográfica que a separava do homem que amou na net, pela diferença cultural, pela coragem de casar sem nunca ter tocado, lhe desejo as maiores felicidades. Às dezenas de outros casais que aqui se formam e se amam o meu sincero respeito. Claro que aqui também ocorrem muitos enganos, mas a culpa é das pessoas inescrupulosas, e não ocorrem só aqui. Quantos homens fora daqui violam, matam, roubam, maltratam? Cabe às pessoas terem o bom senso e o instinto para afastarem quem não interessa, mas isso em todas as circunstâncias da vida. Pois é minha amiga, aqui ama-se. O tal complemento que disseste que faz falta, isso nada acrescenta ao amor. O complemento é a paixão, o desejo, o sexo, isso não faz aumentar o amor, apenas o ritualiza e cimenta. Quem for capaz de se apaixonar aqui poderá ter a certeza que é amor mesmo, o resto, fora daqui virá por acrescimo. Se duas almas aqui se encontram e se tocam, fora daqui os corpos o farão com a certeza de um amor verdadeiro e não de uma paixão passageira. Amor e sexo são coisas diferentes que se completam depois. Ama-se aqui sim amiga, ama-se por aquilo que o outro é. O sexo virá depois e claro complementará, mas nada vai acrescentar ao amor, mas sim à paixão. Que confusão que as pessoas fazem com o amor, amor é entrega, doação de espírito, comunhão de alma e pode nascer aqui, pode nascer até num convento, pode nascer por correspondência, pode nascer em qualquer circunstância em que duas almas se toquem e se compreendam. O resto que depois virá já não é amor, mas sim a consequência. Aqui ama-se sim amiga e como se ama

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